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A chegada do fim de ano pode funcionar como gatilho para depressivos e ansiosos, tanto em evidenciar a doença para quem tem predisposição como ampliar quadros já identificados. Natal e réveillon pintam uma tela em que ser feliz é uma obrigação.

Quando a solidão e o Natal caminham juntos

Família e amigos reunidos, mesa farta, muitos presentes, uma linda decoração de Natal e muitas selfies repletas de sorrisos. O Natal também é tempo de solidariedade e amor ao próximo, quando as emoções ficam à flor da pele. Configura-se, então, o compromisso de uma alegria plena. Aos que não têm esse cenário “perfeito” no fim de ano, o sentimento pode ser de melancolia, tristeza e, por vezes, solidão.

O coração, então, parece vazio e a vida, sem sentido. A saudade de uma pessoa que se foi, as lembranças da infância, reafirmar relações desgastadas e muitas outras coisas que nos levam ao fundo do poço e sem uma solução à vista. São pensamentos e sentimentos que rodam em uma espiral descendente e infinita.

A pressão do Ano Novo


Para piorar, há a chegada do dia 31 de dezembro, declarado como marco para o fim de um ciclo. Neste balanço dos últimos 12 meses, muitas coisas não aconteceram da maneira sonhada. “Sou um fracasso.” É assim que soa, sobretudo, para pessoas perfeccionistas, com baixa autoestima e personalidade muito rígida. A tendência é focar nas metas não cumpridas e o resultado, com certeza, é a frustração.

Falar, então, do ano vindouro, cria uma sensação de que tudo será diferente a partir do 1º de janeiro. Aí, metas revolucionárias são impostas com a exigência do cumprimento. Só de pensar, o coração acelera e a respiração aperta em uma angústia e ansiedade sem fim.

Fim de ano – Há solução?

Calma. É possível fazer com que esses sentimentos ditos “negativos” não sejam tão opressores quanto parecem. Veja, sem perceber você já deu o primeiro passo: identificar seus sentimentos. Pode parecer algo simples, mas o autoconhecimento é uma das etapas mais importantes. Sem isso, não há como procurar ajuda. Sim, nem sempre a mudança acontece de forma solitária. O relacionar-se com outras pessoas pode ser aquele clique interno que aponta para um caminho diferente.

Não pense que isso significa alguém te dizendo aquilo que nós sabemos muito bem. O comum é ouvirmos dos amigos o clichê “não fique assim” ou “fique bem”, seguido de conselhos – que não funcionam para você – para ser diferente, com pensamentos positivos e blá-blá-blá. O que sabemos é bem diferente do que sentimos.

Por isso, o auxílio de um profissional pode ser muito bem-vindo. O psicólogo, em momento algum, te apresentará formas de agir. Ele não vai pensar por você. Mas pode levantar questões para que você mesmo descubra novas maneiras de atuar. Quer dizer, que você chegue as suas próprias conclusões. Então, se Você percebe que os sentimentos negativos estão se acumulando nesta época do ano, marque uma consulta.

Não há fórmulas e dicas prontas para resolver sua vida. Não que deixem de ser válidas, mas a mudança é um processo contínuo, completamente individual e, acredite, mais possível do que se apresenta.

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